22 de maio de 2012

/*Entrevista

11 de janeiro de 2012

Valdir Dacorégio - prefeito de Grão Pará: "Quero fazer o sucessor, mas se não aparecer nenhum nome, eu vou".

O município de Grão Pará governado pelo prefeito Valdir Dacorégio (PMDB) vem notadamente se destacando nos últimos meses pelo volume de obras e ações que tem feito, especialmente no último semestre de 2011 e início deste ano. A reportagem do Municipalista foi até seu gabinete conversar sobre sua administração, perspectivas para o restante do mandato, projetos políticos e sobre o retorno do município ao quadro associativo da Amurel, cujo pedido já foi oficializado, entre outros assuntos. Segue abaixo o conteúdo da conversa

Municipalista: Prefeito Valdir. Temos visto que sua assessoria tem divulgado uma série de obras nos últimos dias, que para quem não mora aqui, tem a impressão que elas nunca tinham acontecido em volume tão forte. Isso é fato ou não? Se for, qual o motivo? É a eleição que está chegando ou foram os entraves e trâmites normais da administração pública?


Valdir Dacorégio: Herdamos muitas dívidas, entre elas um financiamento com o Badesc. Este e outros nos tomaram muito empenho e tempo para liquidarmos as dívidas. Além dos financiamentos de caminhões herdamos outras dívidas, como a própria folha de pagamento de dezembro, antes de assumir, de INSS. Em 2009 todo mundo lembra. O Brasil teve um PIB negativo.  ICM e FPM de Grão Pará de 2009 foram inferiores aos de 2008. O próprio governo federal e o estadual fecharam as torneiras e assim prosseguiu por boa parte de 2010. Em 2011, tanto o governador (Raimundo) Colombo quanto à presidenta Dilma (Roussef) levaram um tempo pra conhecer o governo e só a partir de julho que começaram os convênios. Até passar pela SDR, os convênios serem avaliados, aprovados, licitação de obra. Isso é moroso. É um ciclo vicioso. Acredito que os demais prefeitos tenham sentido isso também.

Municipalista: O município também teve problemas com temporais...

Valdir Dacorégio: Sim. Tivemos três decretos de situação de emergência. As estradas ficaram totalmente destruídas. Só nos recuperamos em 2011. Ficamos arrebentados com as enchentes. Nesse ano São Pedro colaborou mais. Agora estamos com nossa malha viária praticamente toda recuperada. Entramos em 2012 com uma situação bem diferente da dos outros anos. Fora isso conseguimos alguns convênios. Temos um empréstimo do Badesc pra pavimentação de cerca de 1,5 km, via governo do Estado, que pavimentar a estrada para Rio Cachoeirinhas, convenio pra pavimentar a Avenida Nereu Ramos, um pórtico no Rio Pequeno na divisa com Braço do Norte. Vamos reformar a Unidade Central de saúde, que nós compramos em 2010 e terminamos de pagar em 2011. Vamos reformar o ginásio da comunidade do Aiurê. Concluir o ginásio de linha Dunes Braga, que é obra de mais de 500 mil reais, vamos concluir o PSF da Vila Esperança, mais de 200 mil reais, melhorias sanitárias no interior, uma obra no Gabião, que é obra de 500 mil reais, só falta plantar umas árvores. A obra está pronta e paga. Temos um loteamento para pessoas carentes. Claro que o gestor quer mais. Estamos correndo atrás. Vamos comprar um caminhão caçamba, com emenda do deputado Edinho Bez, 150 mil da emenda mais a contrapartida da prefeitura.

Municipalista: O senhor também recebeu do deputado Ronaldo Benedet uma emenda de quase 100 mil, não foi?

Valdir Dacorégio: Isso é pra sinalização turística. Nosso município tem crescido principalmente a agroindústria e isso demanda a compra de muitos insumos e não tem uma sinalização para a comunidade A, B, C, e o próprio turista, que precisa saber o caminho com facilidade. Temos o pórtico, mais a sinalização turística vai fechar o ciclo nesse sentido. Eu tive em Pedras Grandes e o prefeito Tonho (Antônio Felipe) e ficou muito bacana.

Municipalista: Nos mesmos moldes:


Valdir Dacorégio: É, nós temos o nosso projeto nesse sentido. Alem disso temos outros projetos. Temos necessidades. A Administração comprou no ano passado sem convênio e sem financiamento um caminhão traçado-trucado à vista, que custou R$ 248 mil, por que nós não temos saibro em Grão Pará. É uma dificuldade grande dentro do município. Adquirimos uma retro escavadeira nova, reformou-se as máquinas que tinha. Tá se trabalhando. Implantamos muito a agricultura familiar, adquirimos um caminhãozinho pro PAA (programa de Aquisição de Alimentos) e na educação abrimos uma nova creche, compramos três Kombi novas. Na saúde, além da compra do prédio e agora vamos reformar, compramos uma ambulância, dois Palio, uma Sprinter, construímos uma academia ao ar livre e reformada a Praça Anésio Faust, pagas ainda no ano passado. Então, a prefeitura tem trabalhado. Claro que o volume maior de dinheiro é pra sair em 2012.

Municipalista: Qual a arrecadação média da prefeitura?


Valdir Dacorégio: Incluindo o Samae, que é uma autarquia da prefeitura, com todos os programas vinculados, deve chegar a uma média de R$ 1 milhão/mês

Municipalista: E o que os parlamentares e governo lhe informam sobre a SC_439, a rodovia que liga o município a Urubici pela Serra do Corvo Branco?


Valdir Dacorégio: Bem encaminhado. O José Nei (Ascari), que não é do meu partido, mas é filho da terra e foi duas vezes prefeito de Grão Pará, juntamente conosco com os deputados Edinho (Bez), a Ada (de Luca), o Ronaldo (Benedet), o Dóia, o secretário Padilha (Gelson, da SDR de Braço do Norte), o próprio prefeito de Urubici, todos vem se somar a isso, por que não diz respeito a apenas dois municípios, mas sim a ligar uma região á outra, uma obra regional, importante. A vontade política do governador Raimundo Colombo é incluir no próximo pacote de obras, acredito que a nossa estará contemplada em pelo menos em mais uma etapa, que seria de Grão Pará até o Aiurê. Já lá em cima da Serra, passando a serra está tudo asfaltado até Urubici. Ficou muito bonito.

Municipalista: Politicamente falando, o momento é esse por que s e não acontecer agora, com o peso do deputado Zé Nei, do partido do governador, mas os deputados de seu partido, que fazem parte da base, não acontece mais.


Valdir Dacorégio: Ah e tem uma pessoa que tenho que citar que é o vice-governador Eduardo Moreira, que tem se emprenhado demais. Até, ele vai tentar convencer o governador a incluir duas etapas, não uma só. Mas isso são conversas da cúpula. Mas se fizer uma parte, fica show de bola. Todos eles estariam de parabéns.

Municipalista: Quais suas pretensões políticas e projeções políticas a partir de 2013 em diante?


Valdir Dacorégio: É fazer sucessor. Independente de quem seja o candidato. Nós temos um grupo que compõe a coligação e ele está unido, coeso e é claro que nós esperávamos mais realizações, mas pegamos muitas dívidas, enchentes, crise, e muito mais, mas não fugimos do compromisso. Estão bem encaminhadas muitas coisas. O povo vai avaliar. Minha pretensão é que tenha um nome forte, bom pra que nosso grupo saia fortalecido e vença novamente.

Municipalista: Se esse nome vier a ser o seu o senhor entra na briga?


Valdir Dacorégio: Eu até busco um alternativo até por que tenho minhas coisas particulares pra cuidar, mas em último caso se não tiver nenhum nome, ou que a pessoa indicada não queira, se houver o chamamento e a necessidade eu também vou. Estamos muito tranqüilos em relação a isso. Muito tranqüilos. A prefeitura tem varias coisas que foram mudadas. A secretaria de Agricultura hoje, tem vigilância sanitária. Os médicos podem vistoriar os matadouros. Acabamos de criar a Fundação Municipal do Meio Ambiente, onde vamos dar assistência ambiental, vamos fazer concurso pra contratar pessoas capacitadas pra licenciar as coisas por aqui. Criamos a Fundação de Cultura, pra poder captar dinheiro pela Lei Rounet, instituímos o piso da educação. Vamos cuidar trabalhando, primeiramente pra tratar do básico, mas avançando sempre que der. Temos carências de casas populares.  Há dificuldade em Grão Pará em se encontrar casa pra morar, uma vez que aqui sobra emprego e vem muita mão de obra de fora pra trabalhar aqui. Em 2013, espero que nosso grupo esteja administrando o município. Eu vou estar envolvido, sendo eu candidato ou não. Se nosso grupo continuar, temos um projeto muito bacana para Grão Pará. O perímetro urbano vai ser ampliado, a própria revitalização da Avenida Nereu Ramos vai dar uma cara nova pra cidade.  Temos necessidade de fazer isso também na Presidente Vargas, alargamento e pavimentação. Não fomos contemplados agora com recursos da Funasa para o tratamento do esgotamento sanitário por que não tínhamos terreno e licença ambiental. Vamos tentar comprar o terreno neste ano pra deixar isso pronto para o próximo administrador poder implantar o tratamento, que é um projeto de R$ 4 a R$ 5 milhões. Grão Pará tem um projeto muito bom, recomendado pela Funasa, mas que tivemos restrições por causa desses dois itens que falei. Nós estamos olhando todas as emergências. Com a globalização as coisas mudam com rapidez. Ampliamos o apoio à educação, com transporte e convênios com a Unibave, por que as coisas se transformam através da educação.

Municipalista: Que experiência o senhor traz desse período fora da Amurel (Associação de Municípios), agora que já está sacramentado o retorno?


Valdir Dacorégio: Com muita tranqüilidade respondo isso. Desde o ano passado mandamos ofício para retornar à Amurel. Nunca falamos mal da Amurel. Sempre elogiamos o trabalho da Amurel. O que nós entendíamos é que, nós que estamos na ponta (por que estamos no limite. Passou Grão Pará já é Amures) e como o Vale do Braço do Norte tem se desenvolvido muito e Orleans também, e num primeiro momento se entendia que se formaria a microrregião das Encostas da Serra. Pensava-se em projeto turístico, projeto econômico, a identidade desse povo. Foi sói acreditando nisso. Aliás fui à confraternização do prefeito Beto Martins, sou amigo dele, uma pessoa muito simpática. A Amesg teria que ter mais uns dois ou três municípios, que ficaram de se juntar a nós, mas que depois desistiram. Era preciso disso para criar uma estrutura mínima.  Talvez essa idéia ainda vingue um dia. De minha parte não teve nada a ver com política, fico muito tranqüilo. Coloquei isso quando saí perante os demais associados. Não tenho nenhum problema com o ex-presidente, com o atual e nem com os funcionários. O Tonho (Antonio Felipe) de Pedras Grandes, que é meu amigo, ta lá de volta, tem esse mesmo pensamento. O prefeito Cláudio (São Ludgero). O prefeito Nei (do Amaral Fernandes, de Gravatal) é que não se decidiu. Pra mim ele me disse que se a Amesg fechasse ele ficaria sem associação. É uma decisão dele, que tem que ser respeitada. Talvez ele tenha já uma estrutura na prefeitura. Mas eu acho a Associação importante, pode oferecer algumas assessorias importantes, principalmente na engenharia, projetos. Lamentamos que a Amesg não deu certo. Mas não tenho problema em falar nisso.

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Fonte: Municipalista

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