20 de maio de 2012

/Opinião

*E. Búrigo de Carvalho

Eduardo Búrigo de Carvalho é professor aposentado, mestre em Sociologia, doutor em Educação e consultor do Min. da Educação

10 de novembro de 2011

A responsabilidade é do sistema…


Nestes tempos de Web, conseguimos passar para as pessoas nossas incompetências por intermédio de terceiros. Dizia-se há pouco tempo “Delegam-se tarefas, não responsabilidades.” Este foi um princípio muito caro para mim e para as pessoas que tinham atividades de chefia e liderança.

As tarefas eram realizadas com zelo, com “garra” e com “corresponsabilidade.” Hoje, principalmente nestes últimos 10 anos, podemos dizer que a “coisa” mudou. O marketing prevalece às ações, quem dirige as diretrizes políticas são as ações capitaneadas pelo marketing. Houve um determinado momento que um cidadão fez marketing de suas atividades de modo intensivo. Sua secretária recortava, meticulosamente, em todos os jornais impressos, em revistas, em fotografias e em outros órgãos de divulgação, noticias sobre a tal atividade. Depois, cuidadosamente, apresentava-se uma conta financeira virtual, como se a atividade em questão utilizasse todos estes meios de comunicação para vincular suas ações. Assim, uma nota de ¼ de página na Folha de São Paulo custava tantos reais e assim por diante... Somavam-se todas as contas destas “divulgações” como se tivessem sido publicadas e pagas. Era um orçamento falacioso e mentiroso, e serviu de base para o projeto de marketing.

Isto era uma “enganação”, era culpa do sistema...

Pode-se observar com muita freqüência que, através do telefone, seja fixo ou móvel, os profissionais do tele-marketing estão ao encalço do cliente. Quando há falha, a culpa é do sistema... Esquecem-se de que atrás do computador e do meio eletrônico utilizado está o ser humano responsável pelos dados colocados no sistema. Este, não é autônomo, é sempre resultado da ação humana. É muito fácil e irresponsável dizer... é culpa do sistema... Atrás destes descaminhos muitos se desvencilham de suas responsabilidades e muitas injustiças são praticadas à luz da benevolência do poder constituído, que ao invés de ser o defensor imparcial, se torna muitas vezes o protagonista de ações torpes e infames...Veja-se a corrupção instalada em todos os níveis da república brasileira. Imaginem só que país maravilhoso seria o nosso: somos a sétima economia do mundo e em condições de educação e saúde, estamos em sexagésimo lugar. O Brasil, hoje tem um risco de investimento menor que o dos EUA, tudo poderia ser melhor, não fosse a endêmica corrupção que grassa de maneira implacável nossa sociedade. Hoje em dia vemos com tristeza e até com revolta a falta de “justiça” em nosso país. A justiça deixa de ser cega e passa a enxergar de forma míope as situações...

O caso mais emblemático atualmente é do italiano Battisti, recém liberto pelo Supremo Tribunal Federal. Dizem que foi um ato político?! Mas, como???

O Brasil vai sofrer retaliações, mas a decisão foi política. Mais uma vez a culpa é do sistema...

Ninguém assume responsabilidade, porque esta não pode ser delegada.

Tudo acontece e nada acontece.

Vamos ver como está a nossa popularidade, nosso índice de aceitação?!... Isto é o mais importante, é o que, infelizmente, vale. A crise de valores é uma das características do nosso tempo. Os meios de comunicação, ao invés de trabalhar para formar uma opinião pública efetiva, trabalha mais para massificar as consciências, transformando-as em algo uniforme e acrítico. Retornando ao tema inicial, gostaríamos de dizer que a falta de responsabilização pelos atos é decorrência, principalmente, da falta de líderes nacionais com menos apego ao poder e mais caráter e honestidade. A responsabilidade pelos seus atos , nasce na infância e se perpetua pela vida, desde que haja uma educação para isto...Vamos em busca da responsabilidade coletiva e da moralidade cidadã.

Mais de *E. Búrigo de Carvalho