20 de maio de 2012

/Opinião

*Álvaro Dalmagro

Jornalista graduado pela Facha (RJ), pós-graduado em Docência para o Ensino Superior pela Unisul, atua no jornalismo desde 90, em TV, jornais, rádios e revistas. Desde 2008 dedica-se à comunicação corporativa.

03 de janeiro de 2012

Sempre Galeano


Uma vez ouvi alguém dizer que quando vemos, ouvimos ou lemos algo que gostaríamos que nós mesmos fôssemos o autor, iniciamos aí um processo de admiração, de encantamento, que tende a durar pelo resto da vida. Quando li “As veias abertas da América Latina”, do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, em 89, se não me engano, experimentei essa grata sensação. O livro, analisa a história da formação da América Latina desde o período colonial até a contemporaneidade. Desde então, ao contrário do que o próprio Galeano disse um dia, que “escrever um livro é como colocar uma mensagem numa garrafa e lançá-la ao mar; a possibilidade de que alguém a encontre e leia é sempre remota”, passei a ler tudo o que posso. Tudo, dele, claro. Mas o “tudo” é muito pouco perto que ele publica. Galeano é plural: faz ficção, jornalismo, análise política e escreve sobre história. É esse último gênero o que mais me agrada nele, talvez por ter sido influenciado fortemente pelo Veias Abertas, que foi escrito em 71 e foi seu primeiro grande sucesso, embora suas obras tenham começado em 63. Galeano é uma das poucas autoridades mundiais que não têm papas na língua e fala com uma autoridade moral incontestável. Bota o dedo na ferida do mundo, aponta os culpados, fundamenta os fatos e coloca um espelho para quem quiser ver, de que forma as mazelas mundiais como fome, miséria, guerras, tortura, escravidão, genocídio, crimes econômicos acontecem. Nutro profunda admiração por Galeano e o tenho como uma referência intelectual mundial. Contudo, ainda não conhecia um documentário de 2008 da TV Educativa espanhola, que me foi enviado agora por um amigo, em que Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Como diria Alberto Dines, em seu Observatório da Imprensa, assista a esse documentário e “você nunca mais será o mesmo”, sobretudo se você concordar com pelo menos metade do que está dito nele. Ah, e o que isso tem a ver com a proposta do portal Municipalista? Tudo. (http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19319)  

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